Em artigo em Zero Hora, João Derly critica mudanças no pacote anticorrupção feitas "na calada da noite"

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O jornal Zero Hora publica nesta sexta-feira (2/12) artigo do deputado federal Joao Derly (Rede/RS) no qual ele critica os arranjos políticos que desfiguraram o pacote anticorrupção, aprovado pela Câmara dos Deputados durante a semana. O parlamentar gaúcho lembra que “não há ninguém acima da lei” e que as mudanças no texto original foram feitas à revelia da vontade da população.

 

Abaixo, a integra do artigo.

 

"A pátria mãe tão distraída, enquanto agiam os deputados

 

Na calada da noite, quando a nação dormia ainda sob a aterradora tragédia que envolveu o avião da Chapecoense, a Câmara dos Deputados desfigurou o pacote anticorrupção. Suprimiu medidas importantes do texto e incluiu a criminalização de juízes e procuradores.

 

"Não há ninguém acima da lei, não existem castas no Brasil", argumentaram os deputados. Isso dito assim, sem contexto nenhum, é verdade. Na democracia, os poderes limitam uns aos outros, a fim de conviver harmonicamente. Trata-se de um dogma republicano.

 

Acredito que devemos sim discutir a punição aos maus juízes, e que o Legislativo pode sim debater o papel e os limites do Poder Judiciário. É saudável para democracia que haja o fervor das ideias, a pluralidade de pensamento e o debate político sobre as diferentes visões acerca do Estado.

 

No entanto, a situação não é assim. O cenário é que o Ministério Público Federal liderou uma campanha para reformar a legislação visando evitar novos mensalões e petrolões, e impedir a impunidade de bandidos do colarinho branco. O povo farto e indignado de tanto ser roubado e humilhado se mobilizou, apoiou as medidas, foi às ruas coletar mais de duas milhões de assinaturas para o projeto de iniciativa popular.

 

A sociedade se encheu de esperança. Finalmente, estávamos lavando o Brasil à jato, trazendo a sujeira à tona e limpando. A comissão debateu, o projeto foi aperfeiçoado, e o relatório aprovado por unanimidade.

 

A medida em que o projeto contra corrupção avançou, cresceu o desespero de muitos congressistas, apavorados com o estrago que mais delações podem fazer. Ensaiaram emplacar a anistia ampla geral e irrestrita ao caixa 2 e à falcatrua. A sociedade, alerta, repudiou e diante da pressão a trupe recuou.

 

Disse Freud que “Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo.” Quando a Câmara votou para criminalizar o Judiciário e o Ministério público, na calada da madrugada de um dia de luto e consternação mundial pela tragédia ocorrida em Medellín, sabemos que a intenção dessa emenda não foi criar uma boa lei de abuso de autoridade em defesa da democracia.

 

Se é verdade que o gigante acordou, é melhor que pelo bem da sociedade ele não volte a dormir nem a distrair-se. Afinal, na calada da noite tudo pode acontecer."

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